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A cultura profissional no jornalismo em tempos de internet

Opinião | Quinta-feira, 04 de Agosto de 2016 - 15h11 | Autor: Gerson Luiz Martins
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 Pensar na cultura profissional do jornalista envolve uma complexa rede de perfis que não pode ser reduzida a um consenso geral. O profissional do jornalismo é um ser complexo, que cotidianamente entra em conflito. Na formação universitária em jornalismo a perspectiva, na maioria das vezes, é de defesa intransigente da democracia, dos direitos humanos, da liberdade política e da justiça social, que não se traduz, necessariamente, em igualdade. O jornalista, em tempos de internet, e o jornalismo em sua extensão nunca como antes teve, e tem, importância fundamental. Numa sociedade emaranhada, profusa e absolutamente profícua de informações – há um verdadeiro bombardeio de informações, a cada segundo sobre as pessoas – o papel do jornalista se constitui fundamental para que a sociedade compreenda o universo em que vive.

De outro lado, a cultura profissional complexa do jornalista pode deturpar a compreensão social da população exatamente pelo emaranhado de perfis, de compromissos, de perspectivas e até mesmo de posições ideológicas contundentes e muitas vezes fruto de uma prepotência inerente a todo jornalista. Quando entra em cena o espaço da internet, conhecido como ciberespaço, as possibilidades se multiplicam, o controle social e empresarial se dilui e, na mesma metáfora de que o papel em branco aceita qualquer coisa, se produz e se publica qualquer coisa. Esse processo não é de responsabilidade unicamente do jornalista, atuam também a camada empresarial e, principalmente, a publicidade, o faturamento publicitário.

Sempre que se faz uma reflexão e a transforma, por exemplo, num artigo de opinião para as páginas de um jornal, seja impresso, seja na internet ou em qualquer outra mídia, se pensa em personagens, situações e problemas ou processos reais. Mesmo assim, a reflexão sobre a cultura profissional do jornalista pode perpassar espaços e ciberespaços mais amplos, mais complexos, pois o jogo a que está submetido e também submete o jornalista está decorrente de produzir a informação e disponibilizar ao público de forma imediata, a partir da periodicidade de cada mídia.

O trabalho do jornalista, tão importante e necessário na sociedade contemporânea, se torna, a cada dia, um circo de múltiplos espetáculos. A própria competição interna cria situações que podem comprometer o trabalho e a cultura profissional. No ciberespaço, no ciberjornalismo, portanto, há uma riqueza maior de possibilidades que podem ajudar favoravelmente ou podem atuar de forma a reprimir, comprimir e a simplificar a cultura profissional. O não entendimento deste universo, ou seja, da cultura profissional do jornalista na internet, da cultura profissional no ciberjornalismo faz que com aquele profissional que deveria ser o conhecedor do universo social, se torne um elemento medíocre, e entenda-se aqui na definição do termo e não no sentido usual, que é facilmente manipulado pelas superestruturas desse universo.

O jornalismo está em crise. E em todo mundo. É paradoxal a partir do momento em que se questiona a sua necessidade num mundo conectado, onde as pessoas disseminam e recebem milhares de informações todos os dias. É preciso, com as potencialidades do ciberespaço, reinventar o jornalismo e, portanto, a cultura profissional do jornalista.

Este complexo tema é pauta de debate no último dia do 6º Simpósio Internacional de Ciberjornalismo e que terá a participação do jornalista, pesquisador e professor João Canavilhas de Portugal, além dos pesquisadores brasileiros Alex Primo e Marcelo Trasel.

Jornalista e pesquisador do Ciberjor e PPGCOM/UFMS
gerson.martins@ufms.br

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